A revolta do acorde
me
Hoje garrei meu violão
E feri a corda mi,
Nem esperava sua reação
Quando ela me disse assim:
Tocador me deixe quieta
Não venha comigo mexer,
Sua rima não certa
E nem seu tipo vem a ser,
Conduta de um homem bom
Que na música de o tom,
Para fazer moça se derreter.
Você me fere com gosto
Mas não tira grande proveito,
Me envergonho e viro o rosto
Desse tocar sem jeito.
Tocador queira me ouvir!
Use a sua sensibilidade,
Sou gosto não é ruim
Mas tem muita vaidade.
No tocar e na compreensão
Tanto na valsa quanto no baião,
Não há quem se sinta à vontade..
Tocador seja prudente
Não fique fazendo rima,
Para as mocinhas inocentes
Nem para enganar menina.
Seja sincero por tanto,
Promode que assim é sensato.
Você sabe que não é santo,
Amar demais é seu peculato,
Mais usar rima pra conquista,
Olhe aqui seu anarquista,
Vou lhes cortar no ato.
Tocador não me queira mal
Por eu lhes aconselhar,
Nem pense ser eu a tal
Ou queira lhe difamar.
Peço apenas me escute!
Seja ao menos cauteloso,
Me toque com jeito, não lute
Você me parece nervoso...
Fazendo din dom, din dom
Use melhor seu dom
Tacar macio é formoso.
Eu todo me estremeci
Ouvindo aquele sermão,
Levantei nada senti
Larguei o meu violão.
Onde já se viu seu moço
Tanta coisa numa só
Deu-me até um desgosto
Que nem formei o acorde dó.
Pois, enquanto vida existir
Não firo mais a corda mi
Acho assim será melhor.

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