Arthur Carlos da Silva
Este debate é longo e difícil de se explicar principalmente pelo fato de: ninguém conscientizar ninguém, a conscientização é um processo coletivo, onde todos se conscientizam juntos (Freire, 2015) as pessoas em sua tendência de aderência ao dominador – isso até entrar no processo de libertação – ou ao pensamento dominante ao qual já é inserido desde sedo, tende a não buscar entender o conceito de esquerda e como ele se encontra hoje, isso se dá principalmente pelo fato de não conhecer a essas teorias por conta do não acesso ou pelo preconceito pregado pela hegemonia. Adentramos aqui a uma introdução ao conceito do mesmo.
O conceito não pode ser resumido em alguns parágrafos dada sua amplitude, mas podemos dizer que nenhum outro conceito é capaz de abarcar de forma reflexiva os problemas sociais atuais e as demandas da sociedade contemporânea com mais exatidão atentando para as classes populares, os oprimidos que são a base de uma pirâmide da sociedade atual, ou seja é ele muito mais importante que os dominantes pois é ele mesmo que o mantém no seu status, e mesmo o próprio opressor dominante reconhecer a importância de sua importância ainda trata esta mesma base como manipulados, explorados, humilhados e inferiores.
A esquerda verdadeira ela estará na busca para que o oprimido mergulhado na ideologia hegemônica – que não se reconhece como oprimido por conta dos mitos pregados pela ideologia dominante – se reconheça como oprimido, e sendo assim lute pela transformação de sua situação para um estado que não transforma o opressor em oprimido, mas liberta o mesmo na busca por uma sociedade mais justa.
Veja, nenhum pensamento cumpre melhor o proposto em uma democracia pois a busca é uma busca coletiva de permanente atualização, pais caracteriza-se por um processo contínuo de luta por uma sociedade melhor reconhecendo sempre suas dificuldades a ser superada. Mas salientamos que é muito mais comum a tendência do oprimido a aderir ao pensamento direitista, elitista, dominante, como queira nomear, pois os mesmos nascem dentro do mito que aprendem desde criança.
O mito de que todos são livres para trabalhar onde queiram. Se não lhes agrada o patrão, podem então deixa-lo e procurar outro emprego. O mito de que esta “ordem” respeita os direitos da pessoa humana e que, portanto, é digna de todo apreço. O mito de que todos, bastando não ser preguiçosos, podem chegar a ser empresários – mais ainda, o mito de que o homem que vende, pelas ruas, gritando: “doce de banana e goiaba” é um empresário tal qual o dono de uma grande fábrica. [...] O mito da igualdade de classe quando “saber com quem está falando?” é ainda uma pergunta de nossos dias. O mito do heroísmo da classe opressora, como mantenedora do materialismo atual. (Freire, 2005, p.159)
Estes e outros mitos vão aprisionando e mantendo um pensamento que desde pequenos somos inseridos nele, e chegamos a ponto de idealizar ser um daqueles opressores porque desfrutam dos bens que nós de maneira injusta fomos sedo impedidos de ter acessos, e que fomos ensinados a dizer “pobre tem seu lugar” mas não reconhecemos a injustiça e não vemos que somos nós os responsáveis por tudo e os únicos capazes de mudar.
É preciso entender que o pensamento que se cai em qualquer tipo de ditadura não é esquerda, esse é um erro bastante conhecido e usado pelos defendedores de uma ideologia direitista como pressuposta a dizer que a esquerda não é um bom caminho, como processo continuo de atualização, e ainda por cima coletivo, se identifica muito mais com a democracia, pois é a diferença de ideias que atualiza o pensamento e proporciona o aperfeiçoamento. Num movimento dialético, de tese, combatida por uma antítese, que gera uma síntese, que logo depois será questionada por uma outra antítese e mantendo um processo infinito de atualização, conforme as transformações sociais e os novos atores sociais surgentes.
A mudança é sempre um processo doloroso e por isso muitas vezes é combatido por aqueles que temem a mudança e querem manter como está – essa é uma característica do pensamento de direita, que tende a querer manter o status e a ordem das coisas como está – mas a mudança também é necessária para suprir as necessidades de uma sociedade de constante mudança, para isso é necessária uma esquerda real, não extremista, mas libertadora, a direita não nos cabe, não nos inclui por preferir que não lutemos, que se mantenha tudo no mesmo lugar, e por sua eterna paixão por um passado, ainda mais sóbrio que o presente, mas fantasiado por eles como melhor, e que convence a muito de ser realmente melhor pela desinformação e pela alienação a arma maior do pensamento dominante.
REFERÊNCIAS.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa. São Paulo, Paz e Terra. 2005.
____________. Pedagogia do oprimido. 37 ed. Rio de Janeiro/São Paulo. Paz e Terra. 1987.
WANDERLEY, Luiz Eduardo W. Educação popular: Metamorfose e veredas. Cortez editora 2009.
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