Opiniões, Noticias, Poemas, Contos, Descontração, tudo isso e muito mais você encontra no Verdadelivre.com não deixe de acessar e ver os conteúdos incríveis disponíveis no blog.
Segundo noticia publicada hoje no Brasil247 novo presidente do senado esta decidido em suspender a votação da PEC 55 e outras pautas do Senado, tendo em vista que o mesmo não quer apreçar nenhum processo, mas pretende averiguar com calma o andamento da casa.
Não se sabe se neste momento seria uma esperança para os que lutam contra a PEC 55 e outras medidas do atual governo, mas de certa forma atrapalha um pouco as intenções de Temer que tem extrema pressa em aprovar a PEC do teto e outras medidas enviadas por ele a câmara e que passará pelo senado.
Me parece que a política do atual governo é realmente tirar da população os prejuízos, com o petróleo em crise a lógica seria a redução do preço no combustível, porém não é isso que acontece no Brasil, na manhã de hoje a empresa estatal responsável pelo petróleo extraído no Brasil, que atualmente está sob as ordens do atual governo anunciou aumento de 9,5% do diesel e de 8,1% da gasolina.
Isso mostra mais uma vez que a política adotada por Temer só vem surtindo efeitos negativos no país, o desemprego não para crescer já passar de 12 milhões de desempregados em todo país, e o pior é que estes não encontram oportunidades para voltar ao mercado de trabalho.E até o momento a única medida que o presidente propõe é reduzir mais e mais gastos, reduzir sem proposta de investimento não trará nada de positivo para país.
O governo atual já possui mais de 80% de reprovação por parte da população, mas me parece que a cúpula governamental pouco se importa com a reprovação, e com os resultados negativos, em contrapartida apresentará ainda hoje a câmara a nova proposta para a providencia que nos deixa em um clima ainda mais tenso.
A pergunta agora é, até quando o povo brasileiro irá suportar os desmandos deste governo que usurpo os direitos conquistados pelos trabalhadores deste país?
As noticias de hoje apareceram um pouco bombásticas até o momento, o Folha de São Paulo apresenta a primeira manchete que abala um pouco as estruturas no Senado, o Presidente Rena, tem afastamento determinado por ministro do STF, o site da folha abre com a seguinte manchete " Ministro do STF afasta Renan da presidência do Senado" a segunda manchete desesperadora para muitos é a anunciada hoje pelo então presidente Michel Temer.
Temer anunciou nova PEC que altera a previdência, que será apresentado a câmara nesta terça, a PEC prevê aposentadoria aos 65 anos e altera diversos texto da lei atual. Veja na integra a noticia no site Estadão que abre com a respectiva manchete "Governo confirma idade mínima de 65 anos para aposentadoria" esta noticia ao meu ponto de vista parece ser muito preocupante, tendo em vista que a câmara dos deputados e o senado parecem aprovar tudo que o então presidente propõe, numa espécie de pacto que tudo aceita em troca de benefícios e regalias que o líder oferece.
De toda forma o que antes parecia tenebroso agora fica ainda mais angustiante no tocante de medidas tomadas por este governo, que a dias aplicam golpes no povo Brasileiro.
Uma
Educação libertadora, em sentido freireano, está intimamente ligada a
participação dos educandos, a preparação dos seres para vida em democracia, que
se faz no diálogo. Na educação libertadora, diferente da educação bancária –
que é ainda a que predomina nas escolas e é o que a maioria de nós recebemos –
o professor deixa de ser o único protagonista, e único detentor do conhecimento
e passa para uma posição de mediador que reconhece o saber dos educandos e que
constrói junto com ele o conhecimento.
Este
conhecimento produzido coletivamente pode ser chamado de síntese educativa,
observando as bases da dialética – tese + antítese = síntese – este movimento
contínuo nos acompanha durante a vida. A tese inicial, pode ser o conhecimento
que tínhamos sobre determinado assunto próximo a nós, que ao ser questionado
pela antítese nos leva a sair do conhecimento anterior para um novo
conhecimento estruturado e significativo a síntese educativa.
É
importante ver que em uma educação libertadora não há prioridade em conteúdo
por conteúdo. Questiona-se, do que vale o estudante saber a capital do Brasil
se não sabe ele o que significa capital. Na educação libertadora, o reconhecimento
de sua situação de oprimido é ponto muito importante, mas sua ação frente a
transformação social que se dá coletivamente é síntese fundamental. Ou seja, o
caminho de uma pratica educativa libertadora é a busca do ser mais, de um ser
mais coletivo que não oprime, nem pensa em seus próprios ideais egoísta, mas
pensa num todo, num bem comum da sociedade.
O
conteúdo programático realmente importante é o que é essencial para uma vida em
sociedade, sociedade esta, mais justa, mais humana, contra as desigualdades.
Você
pode conhecer muito mais sobre esta educação lendo as obras do educador Paulo
Freire.
(Este artigo é a introdução de outros artigos que serão
publicados sobre a temática, pretende-se publicar outros com a temática educação
libertadora, porém simplificando algumas categorias discutidas por Freire como:
Humanização, autonomia, ser mais, e etc. )
REFERENCIAS
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 50 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2011
Image copyrightAFP/Getty ImagesImage caption O juiz Sérgio Moro interrompeu depoimento por conta de possível acordo de confidencialidade com autoridades americanas
A revelação de que um executivo brasileiro condenado na Operação Lava Jato teria sido procurado por autoridades americanas para negociar um acordo de cooperação nos Estados Unidos levou políticos do PT e advogados a protestar contra uma suposta interferência estrangeira na soberania nacional.
Em depoimento à Justiça Federal em Curitiba no último dia 21, Eduardo Leite, ex-funcionário da empreiteira Camargo Corrêa, disse ter sido contatado pelo governo americano por intermédio da força-tarefa da Lava Jato para negociar uma possível colaboração com autoridades dos EUA.
Questionado por um advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Leite não deu detalhes sobre a negociação e disse que não havia fechado nenhum acordo com autoridades dos EUA, mas que poderia vir a fazê-lo.
Após protestos do procurador Diogo Castor de Mattos, o juiz Sérgio Moro interrompeu o depoimento por conta de um possível acordo de confidencialidade entre autoridades brasileiras e americanas.
A BBC Brasil elaborou um questionário com perguntas e repostas sobre a cooperação entre Brasil e Estados Unidos em torno da Lava Jato.
Quais são as críticas à cooperação?
Advogados de Lula dizem que a cooperação entre autoridades americanas e o Ministério Público Federal em torno da Lava Jato não parece estar seguindo um acordo entre Brasil e Estados Unidos que rege a colaboração judicial.
O pacto define o Ministério da Justiça como autoridade central para tratar da cooperação pelo lado brasileiro. Segundo os advogados, porém, o processo estaria ocorrendo à margem do ministério.
Outra crítica é a de que a colaboração buscaria municiar processos contra a Petrobras nos Estados Unidos. A empresa é investigada pelo Departamento de Justiça americano e pela SEC (agência que regula os mercados de capitais nos EUA) por conta das denúncias de corrupção que vieram à tona na Lava Jato.
Segundo o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), os contatos entre procuradores brasileiros e americanos são uma "afronta à soberania" nacional e têm o objetivo de enfraquecer a Petrobras, favorecendo petrolíferas dos EUA.
Para o procurador Vladimir Aras, secretário de Cooperação Internacional do Ministério Público Federal, as críticas são "absolutamente infundadas". Image copyrightReutersImage caption Advogados afirmam que acordo poderia municiar processos contra a Petrobras nos Estados Unidos Ele diz à BBC Brasil que a legislação sobre a cooperação só exige que o Ministério da Justiça seja acionado para efetuar procedimentos burocráticos - como pedidos de extradição ou a validação de provas coletadas em outros países - e não impede que policiais e procuradores brasileiros dialoguem livremente com colegas estrangeiros.
Como se dá a cooperação entre investigadores brasileiros e americanos?
Um acordo firmado em 1997 e aprovado no Congresso brasileiro em 2000 rege a troca de informações entre autoridades dos dois países sobre assuntos penais.
Segundo Aras, há diálogo constante entre procuradores brasileiros e americanos a respeito de investigações nos dois países, incluindo a Lava Jato.
O FBI (a polícia federal americana) mantém um analista cibernético em Brasília e oferece apoio a autoridades brasileiras nas áreas de criptografia, telefonia móvel e dados em nuvem.
O procurador afirma que, além dos EUA, o MPF dialoga sobre a Lava Jato com outros 32 países e recebeu pedidos de informações de 16 nações. Aras diz que o contato entre procuradores brasileiros e estrangeiros é tão frequente que, em alguns casos, o diálogo se dá por meio de grupos no Whatsapp.
Quantas empresas brasileiras envolvidas na Lava Jato estão sendo investigadas nos Estados Unidos?
Segundo uma reportagem da agência de notícias Bloomberg, publicada em maio, autoridades americanas estão investigando mais de 10 empresas envolvidas na Lava Jato. Não há informações oficiais sobre as companhias, já que o governo americano mantém os casos sob sigiloso.
Duas dessas empresas seriam a Petrobras e a Eletrobras, que têm ações negociadas nos EUA.
Outra companhia na lista seria a Odebrecht. Na semana passada, jornais relataram que a assinatura do acordo de delação premiada entre executivos da empresa e a força-tarefa da Lava Jato havia atrasado por conta do feriado americano de Ação de Graças. Isso teria ocorrido porque a empresa também negocia um acordo com autoridades americanas e desejaria concluir as negociações simultaneamente.
Por que os EUA investigam empresas e indivíduos estrangeiros por atos de corrupção ocorridos em outros países?
A principal legislação nos EUA contra a corrupção de empresas é a Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), que busca coibir que companhias (americanas ou estrangeiras) façam pagamentos a funcionários de governos em troca de vantagens a seus negócios.
Os atos de corrupção investigados podem ter ocorrido em qualquer país, desde que a empresa mantenha vínculos - ainda que mínimos - com os EUA. Enquadram-se na lei empresas que tenham ações em bolsas americanas, investimentos ou contas bancárias nos EUA. Image copyrightAPImage caption A SEC (Securities and Exchange Commission) é o órgão que regula os mercados de capitais nos EUA Se condenadas pela Justiça dos EUA, essas empresas podem ser multadas, perder a licença para operar no país e ter bens apreendidos. Nos casos mais graves, a Justiça pode pedir que outros países extraditem executivos condenados para os EUA, para que cumpram pena em prisões americanas.
Críticos dizem que a lei dificulta que empresas americanas compitam com companhias estrangeiras em países onde a corrupção é natural. Defensores da legislação argumentam, porém, que ela ajuda a combater práticas nocivas e fez com que vários países adotassem leis semelhantes.
Quem realiza essas investigações nos EUA?
Na maioria dos casos, o Departamento de Justiça, órgão subordinado à Casa Branca e que, nos EUA, tem funções semelhantes às do Ministério Público Federal no Brasil.
Quando as empresas investigadas têm ações em bolsas americanas, também pode haver participação da SEC.
Como essas investigações terminam?
Normalmente, autoridades americanas e as empresas investigadas fecham a um acordo para que o caso não seja resolvido na Justiça. Nesses acordos, as companhias costumam se comprometer a pagar uma multa, cooperar com as investigações e mudar suas práticas. Em troca, as autoridades abrem mão de denunciá-las judicialmente e manter sob sigilo irregularidades descobertas nas investigações.
Em palestra na Procuradoria Geral da República em São Paulo em maio, um representante do FBI disse que, desde 2005, a lei anti-corrupção americana já levou ao pagamento de US$ 6,2 bilhões (R$ 21 bilhões) em multas. Image caption Tesouro americano já teria arrecadado mais de US$ 6 bilhões em multas provenientes de violações à lei anticorrupção Segundo especialistas, boa parte do dinheiro vai para o Tesouro americano. Em alguns casos, o montante é usado para indenizar acionistas lesados pelas práticas das empresas.
Para Michael Koehler, especialista na lei anticorrupção e professor da Southern Illionis University School of Law, esses casos são altamente lucrativos para o Tesouro americano. Ele diz que empresas estrangeiras respondem pelas multas mais altas negociadas com autoridades americanas por violações.
Entre as empresas que já negociaram acordos com o Departamento de Justiça estão a alemã Siemens, a brasileira Embraer e a francesa Alcatel-Lucent.
Já Matt Kelly, consultor especializado em ética corporativa, diz que a lei não tem objetivos secretos e que empresas americanas também são punidas pela legislação.
"Alguns críticos dirão que a lei é uma máquina de dinheiro, mas eu acho que a corrupção é ruim e precisa ser erradicada. As pessoas que são corruptas precisam sofrer as consequências, e a punição financeira é uma forma de conseguir a atenção delas."
João Fellet @joaofelletDa BBC Brasil em Washington
Nós já temos conhecimento do que vem acontecendo em nosso país, após o golpe dado pelo congresso que acabou colocando Temer em seu posto, uma série de medidas aterrorizantes vem sendo tomadas, de forma que reforça o motivo de luto por parte da população, que já se encontra desgostosa por inúmeros motivos, da situação política e economia de nosso país.
Uma dessas medidas que motivou uma série de ocupações de escolas e universidades em todos país, é a proposta chamada de reforma do ensino médio, que vem sendo divulgado na grande mídia como a salvadora dos baixos índices de aprendizagem do ensino médio, a proposta está fadada ao fracasso, uma vez que a proposta não parte da realidade, não vai até o chão da escola para saber as suas reais necessidades, como fazer uma reforma sem consultar os profissionais que fazem a educação desse país? como as escolas que em sua maioria não tem uma boa estrutura física poderá comportar turmas dividas por área (a qual o aluno optou) e ainda no mesmo horário cursos de capacitação técnica? Basta observar os problemas enfrentados em programas como o Mai Educação. E estes não são os únicos problemas apontados por muitos que fazem a educação.
Outra medida que nos preocupa, é a PEC 55, que congela os gastos públicos por 20 anos, isso é preocupante pois sabemos que muitos estados fizeram cortes grandes, e que necessita-se de investimento na saúde, na educação, na segurança e demais áreas sociais, com os gastos congelados com base no lucro atual, o desenvolvimento do país está extremamente comprometido.
Mas além de noticias ruins, o contexto ainda reforça que é hora de lutar! em todos país estamos tendo luta, protestos e ocupações são provas disso, prova de que há resistência, apesar de a mídia e o estado estar o tempo todo tentando reprimir e abafar a luta e a insatisfação do povo. Mas se há repressão é porque estão se sentindo incomodados, não querem recuar com seus planos de transforma o país em extremamente Neoliberal.
Mais do que nuca temos que ter esperança, mas uma esperança de ação, de luta, se vivemos numa democracia, o povo é o poder maior, e só nós temos o direito de decidir o que queremos para o nosso futuro. E tenho certeza que todos queremos ser respeitados, poder ir e vir em segurança, queremos que nossos filhos tenham direito a frequentar escolas e universidades publicas de qualidade, queremos ter onde morar e trabalhar, por isso vamos a luta, é tempo de sonhar!
Estudantes de Pedagogia do Campus III da UFPB apoiam em massa a ocupação. (acervo do movimento "Ocupa Campus III, UFPB"
Deixo registrado hoje no Blog, o relato que recebi ontem por meio de várias redes sociais, Facebook e vários grupos do whatsapp, recebi mais de 10 vezes o relato, que não era mais uma corrente de fim de ano, mas mostrava a verdade por traz do que a mídia chamou de reação policial frente a vândalos manifestantes. Pessoas (em sua maioria estudantes) que lutavam contra a PEC que tem uma reprovação enorme por parte da população, e que foi aprovada em primeiro turno, dando uma punhalada nas costas do povo, dos trabalhadores deste país.
Segue o relato registrado pela professora que participou da manifestação e conta o que viu.
Saímos de Campina Grande- PB no domingo, dia 27. Éramos três
professores: um do IF e dois da UEPB, e os demais 42 eram estudantes
secundaristas e universitários. No dia da nossa chegada, nos
concentramos na UNB. No dia seguinte, fomos ao local das atividades.
Após concentração e distribuição do almoço no MEC, assistimos à fala da
Maria Lúcia Fatorreli. Em seguida, caminhamos para a concentração no
Museu e de lá caminhamos em direção ao Senado. Nunca tinha visto tanta
gente na rua lutando pela mesma causa. Não sou a melhor pessoa para
números, mas acredito que tínhamos 50.000 pessoas na rua. A energia era
forte, uma mistura de determinação e esperança. Nosso grupo
rapidamente chegou ao gramado que antecede o espelho d'água. Sem
aparente identificação, os policiais já estavam posicionados para nos
receber. Até então não tinha havido nenhum tipo de embate, apenas
algumas pessoas dentro da água. Do lado oposto ao que estávamos, uma
mulher dizia algo para os policiais. Nesse momento tive a ideia de abrir
a bolsa e pegar o celular. Nessa fração de segundo ouvi uma vaia
generalizada e levantei os olhos: a mulher estava inerte na água. Todos
se revoltaram com o fato de o policial jogar spray de pimenta algumas
vezes e ela não recuar. No entanto, a maior revolta foi a agressão
física que a fez desmaiar na água: enquanto jogava o spray, ele a chutou
no rosto. Lembrem- se que ela estava no nível mais baixo (na água) e
ele no terraço do Senado. Sim, a polícia provocou e começou as
agressões. Aí tudo virou um caos. Um grupo virou um carro branco,
acendeu o fogo e em seguida o empurrou em direção aos policiais, numa
espécie de barricada para tentar resgatar a moça. Outras pessoas foram
de mãos para cima para tentar negociar a retirada da garota, mas também
levaram spray de pimenta. Nesse momento, as bombas de gás lacrimogêneo
começaram a cair por todos os lados. Uma caiu na nossa frente, saímos de
lá com aquela sensação de queimor insuportável, mas, ao mesmo tempo, já
estávamos com pequenas quantidades de vinagre (já que este e o leite de
magnésio são eficazes para barrar os sintomas que o gás causa). Todas
essas recomendações recebemos e propagamos na viagem, bem como as
estratégias de rota de fuga (com uma montagem de um mapa do plano
piloto) em caso de embate com a polícia, dispersamento ou desencontro.
À medida em que recuávamos, a polícia avançava. Ela não poupava
ninguém. Quando o protesto começava a tomar corpo, já se aproximava do
fim do expediente dos trabalhadores. Ninguém foi poupado. Vi idosos,
mulheres com crianças, e nós, os militantes, apanharem muito. O
desespero era fugir do gás e, simultaneamente, retirar quem estivesse
atingido ao lado: foi a maior lição de solidariedade que vivi.
Nossa janela de fuga (sim, porque 95% das pessoas que lá estavam não
foram preparadas para uma guerrilha urbana) foi proporcionada pelos
Blacks BLOCKs. Eles retardaram o avanço da polícia e criaram, junto com
alguns militantes mais experientes, barricadas para conter o avanço
policial. Eles também apanharam muito. Carros foram queimados para
distrair a atenção dos agressores, painéis e alguns prédios de
ministérios foram quebrados na tentativa de diminuir as agressões e
salvar as pessoas feridas. Nesse momento percebemos os helicópteros
(eu contei 4 diferentes). No início eu achei que era apenas para
acompanhamento da movimentação da massa. Já no início da noite, algumas
aeronaves começaram a fazer voos mais baixos e, logo em seguida,
estourava uma nova bomba. Eu não vi cair nenhuma bomba dos helicópteros,
mesmo porque o inferno estava no solo, mas a polícia estava muito longe
para que as bombas chegassem a nós. O pior aconteceu quando a
cavalaria entrou em ação. O pânico tomou de conta. As pessoas corriam
enlouquecidas com medo de serem pisoteadas pelos cavalos. E o confronto
seguiu nesse terror. Estávamos assustados demais para reagir e, em nosso
grupo, a prioridade era proteger os alunos já que a maioria deles nunca
tinham presenciado embates tão duros. Hoje percebo que o país inteiro
não tinha vivido tão recentemente tamanha truculência. Conseguimos
enviar boa parte do grupo para o ônibus, mas ainda tínhamos que pegar os
outros no nosso ponto de fuga. Criou-se assim uma espécie de equipe de
resgate. Nesse momento trocamos de blusas, tiramos botons/adesivos e
jogamos as bandeiras fora. O mais importante era restabelecer em
segurança o grupo. E as bombas continuavam a cair. Um dos aspectos que a
bomba causa é o impacto psicológico: elas têm um som ensurdecedor e
treme o chão quando toca o solo. Ainda assim, depois de juntarmos quase
todos e o clima aparentemente ter acalmado, ainda tínhamos os
desaparecidos. Só tínhamos duas alternativas: hospital ou cadeia. A
ajuda dos companheiros que não estavam no protesto foi fundamental.
Eles nos ajudaram a localizar várias pessoas, entre elas, nossa
companheira desaparecida que estava no hospital da UNB. Ela foi
socorrida por uma enfermeira que tinha na mão o magnésio e a achou
desacordada debaixo de uma árvore. Não sabemos seu nome, apenas que
salvou nossa aluna. Para esta pessoa os meus mais sinceros
agradecimentos. Não são todos que se dispõem a salvar a vida do outro,
colocando a sua própria vida em jogo. Não podemos esquecer da equipe
médica que a atendeu. Não tenham dúvidas de que foi um belíssimo
trabalho, já que nossa aluna possuía uma fragilidade pulmonar que
complicou os sintomas do gás em seu corpo. Obrigada equipe médica da
UNB. Ao acordar, nossa aluna conseguiu passar as informações para o
pessoal do hospital, que entraram em contato com familiares e
professores de sua unidade de ensino que, por sua vez, entraram em
contato conosco. Ela nos relatou que o hospital estava cheio e que, em
sua maioria, mulheres eram as principais vítimas, sobretudo as que
estavam com os seios desnudos. Impossível não fazer uma leitura
sociológica desse fenômeno. Ela também nos relatou um caso de uma
criança de (aparentes) 10 anos. Ela e sua mãe estavam muito machucadas: a
mãe com marcas roxas pelo corpo causado pelo cassetete, a criança com
15 pontos na boca em direção às maçãs do rosto. A mãe foi buscá-la na
escola vestindo uma camisa do "Fora Temer" e, por azar, estava no olho
do furacão. A mãe foi agredida pelo policial que, não satisfeito com o
espancamento, partiu para agredir a criança. Pude perceber que
existia prazer em alguns policiais em agredir as pessoas, outros, nos
indicavam com um olhar uma rota de fuga. Pessoas e pessoas. Não
posso deixar de mencionar o papel de alguns cidadãos de Brasília. Mesmo
não estando no protesto, eles nos indicavam os possíveis caminhos para
fugir daquela insanidade. Muito obrigada. Já passava das 21h e
ainda tínhamos alunos desaparecidos. Ficamos sabendo que a polícia tinha
fechado a rodoviária e estava prendendo militantes dentro dos ônibus
estacionados nas imediações da rodoviária. Ao mesmo tempo, dois dos
nossos alunos estavam em outra localidade com uma delegação diferente.
Decidimos pegar um táxi e entrar na rodoviária para procurarmos o último
desaparecido. Para nossa sorte, recebemos mensagem de que ele tinha
encontrado nosso transporte e estava a salvo. Assim retornamos ao ônibus
e saímos de Brasília naquele mesmo momento. Sentimos falta da
presença da CUT e do MST. Acredito que se eles estivessem lá o
resultado poderia ser diferente. No entanto, as entidades que estavam,
nos deram o maior apoio possível, inclusive, de ordem tática. Não foi à
toa que a polícia deu voz de prisão aos manifestantes que estavam no
alto do trio elétrico chamando a militância a resistir aos avanços dos
policiais. Acredito que o protesto de ontem e seus desdobramentos
deram início a outro momento na história do país. E o protagonismo será
da juventude. Cabe a nós, os professores, o papel de elaborar, proteger,
orientar, salvar, zelar e agir por nossos jovens. Me desculpem
eventuais erros e equívocos, mas ainda estamos na estrada rumo ao nosso
destino. Ao menor sinal de Internet, recebemos muitos pedidos de
informações e, por este motivo, fiz este relato. Neste momento,
20:56 do dia 30/11/16, em algum lugar desta enorme Bahia, decidi
escrever este texto como forma de informação, mas também de expurgo para
a compreensão geral dos chocantes acontecimentos de ontem. É
impressionante o crescimento individual deste grupo de alunos. Eles
estão mais coesos e solidários. No início da viagem houve pequenos
ruídos por causa dos posicionamentos de um grupo de alunos com outro
grupo que tinha orientação lgbt. Neste exato momento estou sentada entre
dois grandes grupos que estão debatendo questões específicas. Os
rapazes mais conservadores estão discutindo gênero com parte do grupo
lgbt e o outro discutindo formas de exploração do trabalho. Se tornaram
homens e mulheres, literalmente, do dia pra noite. Eu apenas os observo,
afinal quem mais está aprendendo aqui sou eu. E meu coração está
inundando de amor e felicidade.
A PEC passou e irá passar. Mas o
sentimento de que fiz (fizemos) tudo que estava ao meu (nosso) alcance
me conforta, mas não me resigna. Saio mais convicta da necessidade da
luta.
Caríssimos amigos, o Blog Verdade Livre é uma iniciativa que ainda não recebe incentivo financeiro de patrocinadores ou anunciantes, você pode ajudar esta pagina a continuar no ar de forma fácil, basta clicar nos anúncios espalhados pela pagina, assim você deixa uma pequena contribuição e ajuda o blog a manter-se de pé. Desde já agradecemos, Equipe Verdade Livre.