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O que eu vejo, pode não ser o que vejo.






Imagem. Estão em toda parte, Não? Até mesmo para quem não ver, não acha? Como assim? Você deve estar se perguntando. Do quê que está falando?
Mas, de fato, e o que são imagens? O que ela nos remete? Que experiência vital tenho das imagens? E com as imagens? E eu tenho mesmo experiência vital com as imagens?
Calma, não fique angustiado por eu repetir imagem, imagem, imagem... refiro-me a impressão, ao julgamento que você faz do mundo, das pessoas, de você mesma, das coisas, dos fenômenos...que imagem você tem de ante de!
Então você se questiona novamente:
- E o que eu tenho a ver com tudo isso?
Tudo bem. Vamos fazer algumas reflexões e passear um pouco na história.
Pense no cara, o rapaz, o garoto que está querendo conquistar uma garota, ou o inverso, o que ele ou ela faz? Não se mostra em “virtudes” e “qualidades”? Quase nunca os defeitos! Isto não é passar a imagem de?
E uma pessoa que procura um emprego e elabora aquele currículo. Qual é a sua intenção? Não será mostrar a imagem do profissional que ele ou ela é para o interessado em questão?
E a empresa que quer passar uma boa imagem para a sociedade, não mostra todo o seu compromisso com projetos sociais, com o meio ambiente, com as boas condições de trabalho?
Mas deixemos de lado o pessoal, o empresarial, vamos para a história.
Lá no Antigo Egito Deus se compadece do povo que sofre na mão do opressor e promete tirar o povo para uma terra fértil que corre leite e mel (ver Ex. 3, 8). Agora Deixe-me perguntar: Deus não forneceu uma imagem de como seria a terra para onde o povo oprimido iria? E o povo não segue esta imagem?
 Vamos para frente, bem na frente. Qual era a imagem, concepção que Karl Marx tinha da luta operaria industrial na Europa? E o que aconteceu de fato? A luta proletária não aconteceu na Rússia e com uma classe totalmente diferente do que imaginou Marx?
Voltemos no tempo. No novo testamento, Saulo persegue os Cristão pois acha ser um povo que agride a face Deus, pelo menos segundo os princípios do Judaísmo. Olha aí a imagem, impressão que Saulo tem dos Seguidores de Jesus. E o que é que faz Saulo se converter em Paulo? Logo uma Visão, uma imagem que teve de Jesus. Uma luz forte que o cega e uma voz que pergunta porque me persegue (Ver At. 9). Depois desse Jesus que questiona Saulo, qual a real imagem que ele tem dos Cristão? E qual é sua postura de ante de?
 Já que falamos do próprio, Jesus. Quais as imagens que ele nos mostra do reino Deus? Pensem em todas as comparações: o homem que sai ao campo para semear, o que recebe o tesouro e o esconde, o dono da vinha, o rei que perdoa os 1000 talentos... (Ver Mc. 4 e Mt: 13, 13 – 44 e 18, 23). E a imagem da missão dos discípulos: vão curando os Cegos, expulsando os demônios, perdoado os pecados... e mais, aquele que quiser me seguir deve largar tudo, tomar sua cruz e me seguir (Ver Mt: 10); esta última por assim dizer uma imagem um tanto assustadora, imagine tomar um dos piores símbolos de crueldade e morte utilizados pelos romanos para poder merecer o Reino de Deus.
São infinitas as lembranças que podemos ter de diferentes imagens mundo a fora em diferentes momentos da história por pensadores diversos e eventos diversos. Mas o que importa na verdade é o que as imagens provocam em nossas vidas.
Vejamos, por quantas vezes você deixou de se aproximar de uma dada pessoa que viu pela primeira vez porque teve uma má impressão? Uma imagem negativa da pessoa? E a impressão que causamos a muitos pela primeira vez! Quantos não já chegaram para mim dizendo, eu não ia com a tua cara, tinha uma imagem totalmente diferente de você. E já ouvi de outros dizer: aquela pessoa não era como eu imaginava! E o emprego que perdemos porque podemos ter causado uma má impressão no entrevistador, seja pela vestimenta, pela postura acanhada, ou pelo exibicionismo, ou por uma imagem que você tentou passar e que na realidade não é.
E é isso que no final das contas me interessa. Qual a imagem que passo para as pessoas, para o mundo, para mim mesmo, qual a imagem que tenho de mim? E é a mesma que passo para os outros? E do mundo? Faço uma leitura dinâmica, real e concreta?
Sim, porque muitas das vezes agimos como o rapaz que deseja conquistar a mocinha e cria um teatro de sonhos e fantasias. Que se idealiza majestoso e perfeito.
 Mas também pudera, se assim não for não tem graça, perde o encanto, não é? Quem vai se interessar por uma pessoa que chegue logo empurrando suas verdades mais cruéis?
Brincadeiras à parte, todos os dias as imagens estão levando as pessoas a tomarem posição na vida, na sociedade, nos relacionamentos. A tomarem decisões que podem afetar severamente suas vidas. Seja pela dificuldade de fazer a leitura do todo, ou a ausência de uma reflexão profunda, seja pelo fato de a imagem ou as imagens não mostrarem o que realmente é a coisa. Para você entender melhor o que quero dizer, vamos a uma historinha. Essa parábola corre o mundo para tentar explicar quando não se ver o todo, quando também as experiências dos outros não são levadas em considerações, enfim, as lições podem ser as mais diversas. Alguns cegos foram colocados diante de um elefante para examina-lo e dizer como ele era, um deles bateu na barriga do elefante e disse: o elefante é uma grande muralha que se move. Outro que estava agarrado com a perna disse: o elefante era uma grande coluna de pelos, mas outro retrucou afirmando ser como uma mangueira de água ondulada, este estava agarrado com a tromba. O outro que estava mais atrás interrompeu o anterior dizendo: besteira o elefante é uma corda que se enrola, estava pegado com o rabo, já o outro agarrado com a orelha, afirma que o elefante era igual a um abano, e por último, o que se agarrou a presa do elefante afirma ser como uma espada que quase o fura.
Como eu disse as reflexões podem ser as mais diversas acerca dessa parábola que alguns afirmam ter sua origem na cultura Indiana outros dizem ser fragmentos do livro Politicas de Aristóteles e que sofreu diversas modelagem. Bom, eu vou tomar meu rumo de reflexão, mas cada leitor fique à vontade para tomar o seu. Quando nós não vemos o todo e a parte do todo não permite uma boa compreensão podemos tomar atitudes contrarias a nós mesmo. Lembro-me de um fato curioso, entre um casal. Ele gostava muito de escutar os nonatos, ela ouvia porque ele ouvia, e só sabia de quem sem tratava por causa da voz, voz que achava ser de uma pessoa já passada da meia idade, talvez beirando a terceira achava ela. Um dia ele chegou com um DVD dos mesmos nonatos e colocou para curtir, ao ver a imagem daquela dupla ela admirada comenta não acreditar que se tratava de pessoas tão novas e curiosamente passa a escutar mais e com mais sensibilidade.
Esse fato ocorreu em si tratando da música, mas poderia ser em qualquer outro evento social, político, religioso... já pararam para pensar a imagem que a Preside Dilma mostrou em todo o período de campanha eleitoral, por exemplo? O mundo de bem feitorias, os projetos, as promessas, o posicionamento do governo frente aos trabalhadores, as garantias..., mas o que aconteceu ao final das contas? A máscara caiu. A sensação que ficou, os brasileiros foram enganados, era apenas uma farsa, uma mentira deslavada para permanecer no poder, para continuar manipulando...  E agora o povo ver o todo, e reclama, e se esperneia, e não sabe cobrar. Sim, porque do outro lado, tem uma oposição, que tenta passar aquela imagem de salvadores da Pátria, de a salvação da nação. Se eu bem nem me lembro, não estão envolvidos em escândalos como da Siemens, de má gestão dos recursos públicos estaduais, de inclusão na listagem das fichas sujas, etc, etc, etc. E eu me pergunto, será que agora vamos ver o todo, ou vamos continuar a olhar o elefante por parte?
As imagens das propagandas dos comerciais que vemos todos os dias são as mais bonitas, as palavras, as mais sedutoras – beba a felicidade – e de quebra contraia uma gastrite. Não seria diferente com as campanhas eleitorais. Vote fulano de tal – E o brasil não vai mal – mais de quebra, o que acontece de fato, é o povo morrendo no pau.
O meu sentimento é que o povo de Deus continua a atravessar aquele deserto da terra prometida, mas dessa vez o motivo da corrupção são dois capetas querendo se tornar ídolos desse povo carente de líderes de verdade. Meu sentimento é que o povo prefere enxergar apenas a perna que está agarrado – balsa família, e ou auxílio moradia dos senhores juízes; a tromba que não larga – transposição; a muralha que anda – a lavagem do dinheiro; ao leque que os abanas – os desvios feitos... enfim. A imagem desse povo, de mim mesmo, que como ilustra o grande filosofo Plantão no livro a república, sobre aquele povo que prefere ficar dentro da caverna vendo as sombras que passam na parede – jornal nacional... do que sair e ver o sol que brilha.
E não é bem verdade. Mas porque isso acontece? E o que fazer para mudar esse panorama desagradável que vivemos hoje? Pesemos, eu tenho buscado em meus textos uma reflexão muito voltada para a política, para a mídia manipuladora, para o sistema, mas, e a raiz de tudo mal não é o ser humano? Quem faz a política? O homem e a mulher. Quem faz a mídia? O homem e a mulher. Quem desmata a floresta amazônica? Mais o homem do que a mulher? Que polui o meio ambiente? Agora é o homem e a mulher. Quem compõe o sistema? O homem e mulher? Quem corrompe e é corrompido, mata, agride, rouba, mente, estrupa, fala mal e sai na rua com a cara mais deslavada?
Ao que vejo o ser humano tem transformado a imagem e semelhança em embaraço e desgraça, e se revolta com isso, eu não entendo. Parece que é muito mais fácil continuar a utilizar nossas máscaras do que realmente se olhar nos olhos e tomarmos um posicionamento libertador diante de nossa sociedade, que só se é possível quando começado em nosso ser. Parece ser conveniente olhar em parte ao invés do todo, claro, é natural, pois é a parte que me beneficia e não o todo. Sim é verdade que temos medo de quem nós realmente somos na maioria das vezes, mas enquanto não encararmos nosso verdadeiro eu em busca de um crescimento espiritual, e não olharmos o todo, contribuiremos para as mazelas do mundo.



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