Novo rumo a nação tomava,
Ao final do império no Brasil
As mudanças ocorriam a mil
Mas nem tudo se ajustava.
Imigrantes que aqui chegava,
De um lado, boa impressão
E com o fim da escravidão
O Brasil assim avançava.
Mais tinha, quem descordava
Por medo dessa mistura
Era um embaraço na cultura
Que até Deus duvidava.
Era início do Brasil Republicano.
O sonho da liberdade.
Negros que na verdade,
Vivam num covil insano.
Podia agora até gozar:
Dos “direitos iguais”
Não havia nada mais
Do que pudessem reclamar.
Medo, chicote ou senzala
Nada disso tinha agora
“Só se encontra a melhora
Nessa republica que se instala.
”
Mas sempre tiveram “os malas.”
Na história do pais,
Os grandes senhores é quem diz
Os pequenos baixam a fala.
Os donos de engenhos comandavam
Os rumos na ocasião,
Mas a coisa muda de direção
Quando do campo imigrantes
migravam.
Teve quem disse está perdido
Numa escravidão dividida,
E agora a pobreza é espremida
É o sonho da republica se
cumprido.
É a republica cidade luz,
A começar pelo rio de Janeiro,
Onde recebe tanto estrangeiro,
Que só quem segura é Jesus.
O brasileiro que acha que seduz,
Dizendo ser a cara da riqueza,
Quem paga o pato é a pobreza,
Pois o centro se reduz.
Tudo que agora se produz,
Era de uma mistura trivial,
Nada mais agora é normal,
E assim a cultura se conduz.
Esse tempo, não era dos melhores.
Tudo era decidido em pasta,
Até palitos e gravatas
Faziam parte do folclore.
A regra, era andar bem alinhado
E da imagem fazer boa
apresentação.
Era início da civilização
No país republicado.
Nada podia ser contestado,
O país precisava crescer,
Mesmo que algum padecer,
Fosse por certo notificado.
Índio, preto, operário
Experimenta a exclusão,
Agora sua nação
Lhes nega justo salário.
Nem mesmo o fortuito erário
Dos movimentos sociais.
Seria tão quanto capaz
Lhes salvar desse calvário.
Este é o real senário,
Que compõe a nova nação,
Em que a administração,
Enfrenta tempos precários.
Precários para a pobreza;
Pois enquanto isso a riqueza
Goza de luxo e fartura.
É o país da estrutura,
Rumo ao desenvolvimento,
Prédios, carros pavimento,
Tudo agora evoluindo,
A ciência aplaudindo,
As novas descobertas,
Lhes digo uma coisa é certa
É rico em mansão, versus pobre no
chão
Em cortiço fazendo festa.
Esta é a cena que se ver
surgindo,
Cidades crescendo para cima,
Enquanto isso as ruínas,
De bandeiras e heróis se
esvaindo,
Ferrovias construindo
O senário dos tempos modernos,
Enquanto isso nos cadernos,
Os registros vão fluindo,
De tudo que estou sentindo,
E que me recordo em memória,
Esse é o feito da historia,
Em sabedoria nos instruindo.
Do texto População e Sociedade
(Lilia Moritz Schwarcz)
(Lilia Moritz Schwarcz)

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