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Do meu retrovisor

Do meu retrovisor, vejo luzes
Esperança?
Não sei
Do meu retrovisor, eu vejo versos
Amargos, sombrios...
Sinto a briza no rosto, como de quem viaja
Viaja no tempo
Bebendo pouco a pouco o veneno dos dominantes
Mas quem me obrigou a beber?
Sou escravo da minha própria invenção
Pago caro as falhas de um jogo que não aprendi a jogar
Vejo do meu retrovisor, marcas passadas
Perdas incalculáveis
A perda da humanidade
A moeda de troca? a mais valia.
O suor nos ombros dos que trabalham.

Vejo do meu retrovisor, o retrocesso em meio ao novo
O novo mundo se faz
sangrento, e absurdo...
E não há ninguém que o pare
Será?
Pobres oprimidos!
Eu os vejo do meu retrovisor
A unica esperança!
Não sabe a força que tem
E se deixa levar, como ondas do mar
que o grande e potente vento os guia para um único lugar.
Que a imagem do meu retrovisor um dia mude
Porque a frente há sempre um raio de esperança.
E não há um só ser, que por vida oprimida, não se canse
Não grite, não clame!
Não dissolva em seus fortes braços um império
Um império que de sua força se mantém.

(Arthur Carlos da Silva)
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